Acessibilidade Comunicacional: O Guia Prático para Implementação (Libras, Audiodescrição e Linguagem Simples)

Você já se decidiu: sua empresa vai investir em acessibilidade comunicacional. Você entende a importância, o impacto e os benefícios. Mas, na prática, como esse projeto começa? O que sua equipe de marketing ou comunicação precisa preparar?

Muitos gestores travam nessa hora, mas você não precisa ser um especialista em acessibilidade. Só precisa de um parceiro que seja.

Para ajudar você a organizar o fluxo de trabalho, preparamos este guia, que revela os “bastidores da produção” de cada serviço de acessibilidade e mostra exatamente o que sua equipe precisa preparar para iniciar o projeto.

Como é feito o conteúdo em Libras para vídeos?

Incluir a Língua Brasileira de Sinais (Libras) em vídeos vai muito além de apenas colocar uma “janela” no canto da tela. É um processo técnico e artístico de tradução cultural, dividido em três grandes fases.

Etapa 1: Diagnóstico e Estudo

Antes de qualquer gravação, a equipe de tradutores e intérpretes de Libras (profissionais surdos e ouvintes) faz uma imersão no material. Eles assistem aos vídeos, leem os roteiros e, principalmente, estudam os termos técnicos e jargões da empresa para encontrar os sinais equivalentes mais adequados.

Etapa 2: Decupagem e Tradução

Aqui, o conteúdo é “decupado”, ou seja, segmentado. O roteiro em português é rigorosamente traduzido para um roteiro de sinais em Libras. Essa tradução leva em conta não apenas as palavras, mas a estrutura gramatical própria da Libras e as intenções da comunicação.

Etapa 3: Gravação e Edição

Com o roteiro de sinais pronto, o tradutor-intérprete realiza a gravação em estúdio, geralmente com um fundo chroma-key (o fundo verde). Esse vídeo é então editado, tratado e inserido no material original, criando a conhecida “janela de Libras” com qualidade profissional.

O que preparar para o projeto de Libras:

Para iniciar o projeto, sua equipe deve preparar:

  • Os roteiros finais do conteúdo.
  • Os vídeos em alta qualidade (idealmente, “limpos”, sem outros gráficos ou legendas).
  • Um glossário de termos técnicos, siglas ou jargões da marca.
  • Um breve briefing: quem é o público-alvo desse vídeo?

Como é criada a Audiodescrição?

A audiodescrição (AD) é o recurso que permite que pessoas cegas ou com baixa visão compreendam o que está acontecendo visualmente em um vídeo, palestra ou imagem. Para isso, é criado um roteiro adicional focado 100% no conteúdo imagético.

Etapa 1: Análise inicial

Especialistas em AD assistem ao material algumas vezes, pesquisam sobre o tema ou formato do material, se necessário, e tiram dúvidas. Então fazem a “marcação” das pausas naturais no áudio original (entre as falas, durante uma troca de cena, ou enquanto toca uma música). São nessas brechas que a descrição entrará.

Etapa 2: Roteiro e Consultoria

Com esse diagnóstico inicial pronto, o roteirista de AD escreve o texto. A regra é tentar manter a objetividade e a clareza, sem opiniões ou informações muito subjetivas. O roteiro segue para a consultoria, realizada necessariamente por uma pessoa com deficiência visual, que aponta questões, faz perguntas e trabalha em conjunto com o roteirista para garantir uma boa experiência para o público.

Etapa 3: Locução e Mixagem

O roteiro escrito e revisado é, em seguida, gravado por um(a) profissional da voz, com equipamento adequado. Finalmente, o áudio gravado da audiodescrição é inserido nas pausas marcadas na Etapa 1. O áudio é “mixado” ao áudio original do vídeo, garantindo que a descrição seja clara, sem competir com as falas ou a trilha sonora principal.

O que preparar para o projeto de Audiodescrição:

Para esse serviço, o processo é mais simples. É necessário apenas:

  • O vídeo finalizado, já com o áudio tratado e mixado.
  • (Opcional em alguns casos, mas muito recomendado): O roteiro ou a transcrição das falas.

Como é produzida a Legendagem Descritiva?

Muitas pessoas pensam que legenda é tudo igual. Mas a Legenda para Surdos e Ensurdecidos (LSE) — também conhecida como Closed Caption (CC) — é um recurso vital. Diferente da legenda comum, ela descreve sons.

Etapa 1: Transcrição e Identificação Sonora

O primeiro passo é transcrever todas as falas. Mas, mais do que isso, são identificados os sons não-verbais que são cruciais para o entendimento da cena. Por exemplo: [porta batendo], [música tensa], [telefone tocando] ou [risadas].

Etapa 2: Marcação (Timing)

Esta é a etapa mais técnica e demorada. Os profissionais sincronizam cada legenda (fala ou som) para que ela apareça e desapareça da tela no tempo exato em que o áudio acontece. Esse “timing” preciso é o que garante uma leitura fluida e confortável.

O que preparar para o projeto de Legendagem Descritiva:

Para começar a legendagem, é necessário:

  • O vídeo finalizado.
  • (Opcional, mas muito recomendado): O roteiro ou a transcrição das falas. Isso agiliza muito a Etapa 1.

Como é aplicada a Linguagem Simples?

Linguagem Simples não é sobre “simplificar” ou infantilizar seu conteúdo. É uma técnica de design da informação: reestruturar textos complexos (como contratos, manuais, políticas internas ou posts de blog) para que a maioria das pessoas entenda na primeira leitura.

Etapa 1: Definição de Público e Objetivo

Antes de reescrever uma vírgula, são feitas as perguntas-chave: Quem precisa ler esta informação? E o que essa pessoa precisa fazer depois de ler? A resposta (seja “assinar um contrato com segurança” ou “entender uma política de compliance”) guia todo o processo.

Etapa 2: Reescrever e Reestruturar

Com o diagnóstico em mãos, as técnicas são aplicadas:

  • Usar frases curtas e em ordem direta (sujeito + verbo + complemento).
  • Preferir a voz ativa (“Você deve enviar o documento”) em vez da voz passiva (“O documento deve ser enviado por você”).
  • Trocar jargões e termos técnicos por palavras do cotidiano.
  • Usar recursos visuais, como tópicos (assim como neste post) e listas, para quebrar blocos grandes de texto.

O que preparar para o projeto de Linguagem Simples:

Para este projeto, os materiais são outros:

  • O documento ou texto original que precisa ser simplificado.
  • A definição clara de quem é o público-alvo e qual é o objetivo daquela comunicação.

Como tirar seu projeto de acessibilidade do papel

Agora que você conhece os bastidores da produção, pode ver que a acessibilidade é um trabalho técnico, detalhado e que exige especialistas. A boa notícia é que sua equipe não precisa fazer isso sozinha.

Organizar os materiais e entender o fluxo de trabalho é o primeiro passo para um projeto de acessibilidade bem-sucedido. Com esse conhecimento, você pode buscar parceiros qualificados para executar cada etapa com a excelência que seu conteúdo merece.

Se ainda tiver dúvidas, conte com a Jaspe!

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